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Foi sublime e esmagador. Por vezes, até asfixiante. Intenso para lá do previsível, mas de um brilho à medida do Dragão, num caso clássico de fácil destrinça entre dominado e dominador. A resposta a uma envolvência negativa fez-se de um misto fantástico de génio e determinação. Numa palavra, foi soberba. Noutra ainda, foi futebol.
Dinâmico, excluindo liminarmente o enredo supérfluo, o FC Porto arrancou directo ao golo. Sem rodeios e envolvendo constantemente os laterais nas movimentações atacantes. Ainda antes de esgotado o primeiro minuto, Varela, de cabeça, perdia a oportunidade marcar. Mas a tónica da abordagem tornara-se suficientemente clara. Dependendo da estratégia do detentor da Taça de Portugal, o jogo não conheceria preâmbulos. O acesso às meias-finais disputava-se desde os instantes iniciais.
A entrada determinada rendia ao FC Porto uma série interessante de ocasiões de golo, que não nasceria sem pré-aviso. Só no 17º minuto, por exemplo, os Dragões ameaçaram por duas vezes, para Rolando marcar logo depois, na sequência do pontapé de canto com que Rui Patrício se limitara a adiar o inevitável.
Sem nada que o fizesse prever ou causa que justificasse consequência, um pontapé na lógica, precisamente o primeiro do Sporting, fez o empate. Mas a coerência seria restaurada a tempo. Bem mais do que a tempo. Na verdade, 12 minutos bastaram para recuperar a concordância entre acontecimentos e resultado. Antes do intervalo, praticamente a meio de um domínio avassalador, de uma espantosa demonstração de força, Falcao bisava, em dois gestos irrepreensíveis, cavando uma vantagem com novos capítulos e histórias para contar.
Pouco depois do recomeço, numa extensão das incidências da primeira metade, o jogo e a eliminatória estavam ganhos. Sentenciados pela classe de Varela e, praticamente a seguir, num golo soberbo de Mariano, dos que levantam estádios e resumem guarda-redes à mera condição de espectadores. O que podia fazer Rui Patrício naquele instante, que nem sequer lhe reservou tempo para uma prece, senão observar?
Futebol é isto, assim, jogado, circunscrito ao relvado. E só aí a bola deve ser notícia. No caso, em versão «banho de bola», que só não resultou em afogamento porque o Tetracampeão também pode ser misericordioso. E parou de jogar a meia hora do fim, reservando, ainda assim, requintes finais de magia, com túneis e ataques sempre na direcção de Patrício. Para ver e rever. Só não «houve» Taça, porque ganhou o melhor. Seguem-se as meias-finais.
FICHA DE JOGO Taça de Portugal, quartos-de-final 2 de Fevereiro de 2010 Estádio do Dragão, no Porto Assistência: 36.614 espectadores
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre) Assistentes: José Braga e Luís Tavares 4º Árbitro: João Roque
FC PORTO: Beto; Fucile, Roando, Maicon e Alvaro Pereira; Fernando, Belluschi e Ruben Micael; Varela, Falcao e Mariano «cap»; Substituições: Belluschi por Tomás Costa (72m), Falcao por Orlando Sá (75m) e Ruben Micael por Valeri (75m) Não utilizados: Nuno, Guarín, Nuno André Coelho e Miguel Lopes Treinador: Jesualdo Ferreira
SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Tonel, Carriço e Grimi; Adrien; Miguel Velozo, João Moutinho «cap» e Izmailov; Liedson e Saleiro Substituições: Adrien por Matias Fernández (40m), Saleiro por Pongolle (46m), Izmailov por Pereirinha (79m) Não utilizados: Tiago, Polga, Hélder Postiga e Abel Treinador: Carlos Carvalhal
Ao intervalo: 3-1 Marcadores: Rolando (18m), Izmailov (22m), Falcao (34m, 42m), Varela (48m), Mariano (57m), Liedson (90m) Disciplina: cartão amarelo a Adrien (24m), Grimi (30m), Rolando (32m), Carriço (38m), Varela (48m)
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Como Varela fazia anos, não podiamos deixar de dar os parabens atrasados e dizer que este jogo foi uma bela prenda, assim como o grande golo que ele marcou ;)
Parabens ;)
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